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LEITO DA MORTE

Vou atirar-me numa cova escura
Nela ficar por toda a eternidade
Longe das guerras, longe da loucura
Longe dos males da humanidade

Na cova escura imune as minhas dores
Meu corpo inerte sob a pedra fria
Gelado e teso, coberto de flores
Velado em reza, choro, gritaria.

No quarto escuro dessa cova fria
Abandonado ficarei pra sempre
Sem me importar com a necrofobia
Que um dia tanto apavorou minha mente

Na dura cama do leito da morte
Sereno e calmo ficarei deitado
Enquanto alguém lamentará minha sorte:
- partiu tão cedo o pobre coitado!

Ouço uma grande multidão lá fora
Que sabe eles o que estou sentido?
Enquanto toda essa gente chora
Minh´alma ri e ao céu vai subindo

Quando atirar-me numa cova escura
Repousarei por toda a eternidade
Longe das guerras, longe da loucura
Livrar-me-ei das chamas da maldade

P0239.2008.08
Copyright © 2008 by Magno R Almeida