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DECIFRA-ME

Eu nasci 
de um beijo de luz.

Trago em mim 
toda a glória do desejo...

Toda ânsia do Universo.

Eu sou o tudo e o nada...
Eu sou razão, clamor e emoção.
Dou vida e alegria, mas posso trazer 
desgraça e destruição.

Comando todos os 
corações da humanidade.
Quando quero esqueço 
a razão e vivo só da emoção.

Não me apresento 
e não me convido
Entro sem ser chamado.

De repente, 
apareço do nada
e me apodero de qualquer ser.

Eu sou abstrato...

Ninguém pode me ver,
mas todos sentem o meu poder.

Eu sou delírio, 
loucura, força, vida, 
alma e esplendor.

Não sei se o meu nome está certo

Mas todos me chamam de 
AMOR!

P0063.2007.01
Copyright © 2007 by Magno R Almeida
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SEM VOCÊ...NADA SOU

Morena, mulher...
Bonita e dengosa
Felina e gostosa

Luz que ilumina o meu ser
Rosa perfeita do meu jardim
Beleza que me encanta
Alegria que me contagia
Razão do meu viver

Sem você...
Sou uma vírgula desnecessária
Sou um ponto suprimido
Sou uma frase sem sentido
Sou um verbo não conjugado
Sujeito sem predicado e
plural usado sem esse

Sou igreja sem quermesse
e missa sem coroinha


Sou história não contada
Sou carro desgovernado
Sou terreno acidentado
Sou um barco a deriva


Viagem sem viajante
Sou um reinado ultrajante
Sem você minha rainha

P0067.2007.01
Copyright © 2007 by Magno R Almeida
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Busque a Felicidade

Acorde, sempre, com alegria...
Busque todos os prazeres de um dia feliz...

Procure caminhar por lugares
onde a paisagem possa te ofertar
todo o esplendor da vida.

Provoque o encontro
da sua mente e da sua alma
através de uma boa leitura.

Não chore com as derrotas.
Elas são passageiras.

Desterre do seu coração,
o desânimo, o rancor e o preconceito.
Eles não engrandecem a sua alma.

Deguste as suas vitórias
sem provocar ressentimentos
nos corações dos seus opositores.

Jamais se aproprie daquilo que não lhe pertence
e defenda o que é seu, com orgulho e dignidade

Tenha em mente que
suas vitórias são únicas e não podem ser comparadas.
Comemore-as com alegria.
Agradeça a Deus por conceder-lhe esta dádiva e
jamais deixe de orar pelos que não foram tão afortunados assim.

Seja eternamente Feliz!


P0058.2006.12
© Magno R Almeida
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Paraolimpíadas

Uma criança de quatro anos, à vista do grande apelo de marketing dos Jogos Pan-americanos e dos Jogos Olímpicos, pergunta para o seu pai:

- Papai, o que são PARAOLIMPÍADAS ?

O pai, com habilidade, responde à filhinha:

- Filha, assim como tivemos o PAN e o PARAPAN , teremos as Olimpíadas e as PARAOLIMPÍADAS . As PARAOLIMPÍADAS , como o PARAPAN , são para os atletas especiais, com deficiência física e mental. Entendeu filhinha?

- Ah, papai, entendi sim. É por isso que teve eleição PARAPRESIDENTE e o Lula ganhou, né?

Desconheço o autor
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INGRATA

Não adianta
Já fiz de tudo
Pra sair da tua vida
Mas eu não consigo

Então,
Pode me xingar
Pode me olhar de cara feia
Pode dar as costas
Olhar para os lados
Me mandar pra onde você quiser

Pode fingir que não me conhece
Pode me chamar de chato,
Preguiçoso, pentelho encravado,
Mala sem alça, pudim de vinagre

Pode me encher de desaforos e
Até me mandar embora.
Eu vou, mas volto.
Vou ficar no teu pé
Ate você entender que eu fiquei assim
Porque fui contaminado pelo teu amor.

Eu te adoro!
Eu te quero!
Eu te desejo!
Eu gosto muito de você!
Eu te amo pra valer!
Ingrata...

P0055.2006.11
Copyright © 2006 by Magno R Almeida
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Deus e a Ciência

Um senhor de 70 anos viajava de trem tendo ao seu lado um jovem universitário, que compenetrado lia o seu livro de ciências.

O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia, e estava aberta no livro de Marcos. Sem muita cerimônia o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:

- O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?

- Sim. Mas isso não é um livro de crendices é a Palavra de Deus. Estou errado?

Com uma risadinha sarcástica, o jovem respondeu:

- Claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a história geral. E veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, fez o favor de mostrar a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda crêem nessa história de que Deus criou o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os cientistas dizem sobre isso.

- É mesmo? - perguntou o velho cristão. E o que dizem os cientistas sobre a Bíblia?

- Bem - respondeu o universitário - agora eu vou descer na próxima estação, mas deixe o seu cartão que eu lhe enviarei o material pelo correio.

O velho, cuidadosamente, abriu o bolso interno do paletó, retirou o cartão e deu ao jovem universitário.

Quando o jovem leu o que estava escrito abaixou a cabeça, e saiu cabisbaixo se sentindo pior que uma ameba. O cartão dizia:

"Louis Pasteur, Diretor do Instituto de Pesquisas Científicas da École Normale de Paris".


Isso aconteceu em 1892.

O temor do Senhor é o princípio do conhecimento; mas os
insensatos desprezam a sabedoria e a instrução.
(Provérbios 1:7
)


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TATUAGEM

Uma senhora muito bonita procura um tatuador e pede-lhe:
- Faça-me na nádega esquerda um lindo coelhinho de Páscoa.

O tatuador trabalhou e fez um perfeito coelhinho, que ela adorou.
- Agora, faça-me um Papai Noel com o seu saco de presentes na minha nádega direita.

O tatuador trabalhou e fez um lindo trabalho, que ela aprovou incondicionalmente.

Ela perguntou quanto era, pagou e, quando ia sair, o tatuador perguntou:
- Minha senhora, o seu pedido para mim foi inédito e isso deixou-me muito curioso.
Por favor diga-me: porquê um coelho de Páscoa numa nádega e um Papai Noel na outra?

E ela respondeu:
- É para eu calar a boca do meu marido, que diz sempre que lá em casa não tem nada de bom para comer entre a Páscoa e o Natal ....


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O FUNERAL DO CARDIOLOGISTA

Um cardiologista muito conhecido morreu.

Seu funeral foi muito pomposo,e muitos dos seus colegas médicos compareceram.

Durante o velório, um enorme "coração"; rodeado de coroas de flores permaneceu atrás do caixão....

Após as últimas palavras do padre, o coração se abriu e o caixão entrou automaticamente no enorme coração, emocionando todos os presentes.

O coração então se fechou, levando no seu
interior o famoso médico para SEMPRE...

Um dos presentes explodiu na gargalhada, causando surpresa e indignação a todos os presentes.

Questionado por que ria, ele explicou:

- Desculpem-me... Por favor, desculpem-me... É que eu estava pensando como seria meu próprio funeral...SOU GINECOLOGISTA.

Nesse momento, o PROCTOLOGISTA, antes de desmaiar, decidiu mudar de profissão...

Desconheço o autor
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Professorinha Flamenguista

Uma professora de primeiro grau, no Rio de Janeiro, explica fervorosamente à classe que é uma flamenguista fanática.

Ela pede às crianças que levantem as mãos, caso também torçam pelo Flamengo.

Todos na classe, CONSTRANGIDOS pela tia, levantam a mão, exceto a menor garotinha, no fundo da sala.

A professora olha com surpresa para a menina e diz:

- Mariana, por que você não levantou a mão?

- Porque eu não torço para o Flamengo, respondeu ela.

A professora, chocada, perguntou:

- Bem, se você não torce para o Flamengo, torce pra quem?

- Sou botafoguense e tenho muito orgulho disto - respondeu a menina.


A professora não acreditava no que ouvia.

- Mariana que mal você fez para torcer para o Botafogo, minha filha?

- Minha mãe é botafoguense, meu pai é botafoguense, meu irmão é botafoguense, meu avô é botafoguense, todos na minha casa são botafoguenses e por isso sou botafoguense também, com muita honra. - disse a garotinha.

- Bem - disse sem a menor paciência a professora -, isso não é motivo para ser botafoguense. Você não tem que ser sempre o que os seus pais são. Você já imaginou se a sua mãe fosse uma prostituta, o seu pai um alcoólatra, o seu avô um traficante, o seu irmão um homossexual e o restante de seus parentes estivessem presos por crimes de estelionato, estupro, corrupção, latrocínio etc...etc... o que você seria então?

- Aí, sim, professora eu seria FLAMENGUISTA!

Obs.: Desconheço o autor, mas com certeza é um botafoguense nota 10.
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TULIPA ROXA

Zé namorava Maria há 5 anos. Uma moreninha de corpo escultural, bundinha perfeita, peitinho durinho de olhar para cima...

Simplesmente as medidas de uma Deusa grega. Só havia um problema para José: até hoje Maria não tinha liberado nada mais do que uns amassos. Um dia, os dois rolando pelo sofá, pega aqui, pega ali, mão naquilo, aquilo na mão, etc., José começou a tirar a blusinha de Maria, abriu sua calça e quando achou que finalmente ia rolar. Maria cortou o barato falando:

- José, eu sou moça de família. Só vou transar com você depois de casar. Quando acontecer, até tulipa roxa eu farei com você.

Sem entender o que era "tulipa roxa" José levantou-se e saiu. Foi à casa de Joana, uma loirinha aguada que era um caso antigo dele, daquelas que liberava geral. Ao chegar José não pensou duas vezes e foi logo para cima de Joana. Rola prá cá, rola prá lá, depois de várias posições ele não pensou mais e disse:

- Joana, você não acha que já estamos sem muitas idéias para nossas transas?
- Também acho, Morzinho.
- Então, quem sabe você poderia fazer uma tulipa roxa?

Joana ficou branca e logo gritou:

- QUEM VOCÊ PENSA QUE SOU? POSSO SER SUA AMANTE, FAZER TODO TIPO DE SACANAGEM, MAS VOCÊ ESTA ACHANDO QUE SOU DESSAS QUE FAZEM TULIPA ROXA? A MOÇA ENFIOU A MÃO NA CARA DO COITADO! - FORA DAQUI, SEU FILHO DA PUTA. JÁ!!

Jogou tudo o que tinha em cima de José, que não teve alternativa a não ser sair correndo, com as calças na mão.

No dia seguinte José foi para o trabalho, mas não parava de pensar como deveria ser a tal "TULIPA ROXA". Claro que não perguntou para nenhum amigo, pois não queria passar vergonha. A solução seria uma visita ao puteiro local.

Para lá se dirigiu, à noite. Depois de beber umas e outras, sentiu-se preparado e chamou uma das "garotas" linda de parar o trânsito. Ao chegar ao quarto foi logo perguntando:

- Você faz realmente tudo?
- Claro. Estou aqui pra isso, fofinho.
- Qualquer coisa, mesmo?
- Sendo franca: estou aqui para ganhar dinheiro e faço tudo o que for preciso, anal, oral, o que você quiser.
- Então vamos começar logo com a tulipa roxa?

Sem pensar, a piranha tascou um tremendo tapa na cara de José e foi gritando:

- SEU SEM VERGONHA. SOU PIRANHA, MAS NÃO SOU QUALQUER UMA. QUEM VOCÊ PENSA QUE EU SOU?!!! - A vagaba enfiou a mão na cara do coitado e continuou a gritar: VAI FAZER TULIPA ROXA COM A TUA MÃE SEU FILHO DA PUTA! E continuou gritando.

Sem entender o que estava acontecendo o "segurança" (vamos ser francos, o cafetão do local) invade o quarto, irritado, e pergunta:

- Ei cara! O que tá acontecendo aqui?
- Meu caro, eu só perguntei se ela fazia Tulipa Roxa. -respondeu José.

Sem deixar José concluir a frase o cafetão saca o revólver e vai berrando:

- AQUI É UM PUTEIRO DE RESPEITO, MINHAS MENINAS NÃO SÃO DESSE TIPO. SAIA JÁ DAQUI, SEU FILHO-DA-PUTA, SENÃO TE FURO TEU RABO!

E José, novamente sem ter escolha, saiu correndo e foi para a casa de Maria. Ao chegar, falou:

- Maria, case comigo, agora, por favor. - Afinal, José não aguentava mais não saber o que era tulipa roxa.

Dois dias depois casaram-se e foram para a lua de mel. José todo esperançoso...
No caminho da lua de mel, sofreram um acidente e Maria morreu. Até hoje José chora. Não de saudade, e sim de raiva, pois não conseguiu descobrir o que é tulipa roxa.

E Nós  também vamos ficar com raiva. Afinal, se José não descobriu o que é tulipa roxa, muito menos eu, que só recebi esta mensagem de um amigo filho da puta que também não sabia, e perdi um tempão lendo essa porcaria de e-mail e não descobri o que é tulipa roxa.

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O QUE FALTA EM MIM

Tanta coisa ao meu redor
E eu aqui tão só
Envolto em meus pensamentos
Viajando no passado
Imaginando onde e como está você

Convivendo com a saudade,
vou perguntando o que não sei responder

Em que ponto dessa estrada dividimos nossas vidas?
Qual foi o momento de descuido que separamos o nosso caminhar?
Simplesmente viramos pó, um para o outro
Eu sumi da sua vida e você da minha...

Os dias foram passando...passando
E continuam a passar por mim
Fico tentando encontrar um sentido na vida
E vou caminhando na doce ilusão
de um dia te encontrar ou, pelo menos, me encontrar.

Não consigo.
Paro, reflito e pergunto:
O que está faltando em mim?
É muito fácil responder
Tudo o que falta em mim
É você.

P0049.2006.10
Copyright © 2006 by Magno R Almeida
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A PRIMEIRA DEPILAÇÃO

"Tenta sim. Vai ficar lindo."
Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha.
Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. Mas acho que pentelho não pesa tanto assim.
Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa.
Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética. Tudo bem! Peguei o telefone e ligue para o salão:
- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.

- Vai depilar o quê?

- Virilha.

- Normal ou cavada?

Engasguei. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.
- Cavada mesmo.

- Amanhã, às... Deixa eu ver...13h?

- Ok. Marcado.
Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui eu.
Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. "Oba, vou ficar que nem ela, legal" - pensei com meus botões.
Penélope pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de “Calígula” com “O Albergue”. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão.
Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.
- Querida, pode deitar.
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca. Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era “O Albergue” mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e que sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.
- Quer bem cavada?

- é... é, isso.
Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.
- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.

- Ah, sim, claro. - Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei.
De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).
- Pode abrir as pernas.

- Assim?

- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado. - Arreganhada, né? - Ela riu.
Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cêra quente em minha virilha virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar. Foi rápido e fatal. Tive a estranha sensação que o meu clitóris tinha saído embrulhado nos pentelhos. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Resgate. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.
Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.
- Tudo ótimo. E você?
Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha". Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes.
O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todas porque se cansam de sofrer sozinhas.
- Quer que tire dos lábios?

- Não, eu quero só virilha, bigode não.

- Não, querida, os lábios dela aqui ó.
Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se ferrar mesmo.
- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.
Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o “centro cirúrgico” de Penélope e dá uma conferida na Abigail.
- Olha, tá ficando linda essa depilação.

- Menina, mas tá cheio de encravado aqui.

Olha bem de pertinho. Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporta". Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.
- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram uns pelinhos, tá?

- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.
Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da puta arrancando cabelinhos resistentes da pele já dolorida. Tive vontade de matar Penélope mais uma vez. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
- Vamos ficar de lado agora?

- Hein?

- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.
Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.
- Segura sua bunda aqui?

- Hein?

- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.
Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar e até peidar na cara dela, para envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:
- Tudo bem, Pê?

- Sim... sonhei de novo com o ânus de uma cliente peidando na minha cara.
Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver dezenas de ânus por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: “peraí, mas tem cabelo lá?” Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia sobrado nem uma preguinha pra contar a história. Mordia o travesseiro e gemia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.

- Vira agora do outro lado.
Ai meu Deus! Porque essa filha da puta não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha da bunda. Nisso a broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.
- Penélope, empresta um chumaço de algodão?
Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem? Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.
- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.

- Máquina de quê?!

- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.

- Dói?

- Dói nada.

- Tá, passa essa merda...
- Baixa a calcinha, por favor.

Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha! Como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cú. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.
- Prontinha. Posso passar um talco?

- Pode, vai lá, deixa a bichinha grisalha.

- Tá linda! Pode namorar muito agora.
Namorar...namorar... eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada. Bem, esta foi a minha primeira depilação e, a partir daí, fiquei acostumada. Agora faço até bigodinho estilo Hitler.

Desconheço o autor.
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SONHOS...NADA MAIS

Meu amor,
Apesar da distância que nos separa,
estou sempre te olhando.
Apesar de não poder te tocar,
estou sempre te sentindo.
Apesar de não saber onde você está,
estou sempre te seguindo.
Apesar de não poder te olhar,
estou me vendo nos teus olhos
e me encantando com o teu sorriso.

Hoje, meu amor,
apesar da distância que nos separa,
sinto o calor do teu corpo
aquecendo a minha alma,
despertando meus desejos,
aguçando os meus sentidos
e transformando você na minha única vontade.

Hoje, amor...
Penso em você...
Fecho os olhos e adormeço...
Um sonho lindo me conduz ao paraíso
onde eu encontro você...
Por lá quero permanecer
até que o meu sonho possa
transformar-se em pura realidade!

P0051.2006.10
Copyright © 2006 by Magno R Almeida
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O MAFIOSO E O SURDO

Um chefão da Máfia descobriu que o seu contador havia desviado dez milhões de dólares do caixa.

O contador era surdo. Por isso foi admitido, pois nada poderia ouvir e conseqüentemente não poderia depor como testemunha.

Quando o chefão foi dar um arrocho nele sobre os US$ 10.000.000, levou junto a sua advogada, que sabia a linguagem de sinais dos surdos-mudos. Começa o interrogatório:

O chefão perguntou ao contador: Onde estão os U$10 milhões que você levou?
A advogada, usando os sinais, perguntou ao contador onde estavam escondidos.
O contador responde (em sinais): Eu não sei do que vocês estão falando.
A advogada traduziu para o chefão: "Ele disse não saber do que se trata". O mafioso sacou uma pistola 45 e encostou-a na testa do contador, gritando:
"Pergunte a ele de novo..."
A advogada sinalizando para o infeliz:
"Ele vai te matar se você não contar onde está o dinheiro".
O contador sinalizou em resposta: "OK, vocês venceram, o dinheiro está numa valise marrom de couro, que está enterrada no quintal da casa de meu primo Enzo, nº 400, na Rua 26, quadra 8, no bairro Queens!".
O mafioso perguntou para advogada:
"O que ele disse?"
"Ele disse que você não é macho o bastante para puxar o gatilho"

HAHAHAHAHAHA
VAI BRINCAR COM MAFIOSO, VAI.

DESCONHEÇO O AUTOR
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DROGAS! FUJA DELAS!

Meu caro jovem, das drogas passe bem longe
Jamais se iluda com o que ela vai te dar
Ela é covarde, traiçoeira e se esconde
Pelos caminhos onde você irá passar

Maldita fonte de delírios alucinantes
Esta assassina chega sorrateiramente
Acompanhada de "amigos" a todo instante
Quando te pega destrói logo a tua mente

Te alucina, te conquista e te encanta
Para depois a tua vida dominar
A tua paz e os teus amores ela espanta
E não se iluda, a tua vida ela vai tirar

Fique distante dessa bruxa traiçoeira
Se ela te pega te domina a vida inteira
Te acorrenta e não te deixa caminhar

Se algum dia em tua porta ela bater
Jamais atenda e deixe ela te esquecer
E na tua vida a paz eterna vai brilhar

P0003.1997.12
© Magno R Almeida
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DEPILAÇÃO MASCULINA

Estava eu assistindo tv numa tarde de domingo, naquele horário em que não se pode inventar nada o que fazer, pois no outro dia é segunda-feira e o chefe nos espera. De repente, minha esposa deitou ao meu lado e ficou brincando com minhas "partes íntimas".



Após alguns minutos ela veio com a seguinte idéia: Amor, por que não depilamos seus ovinhos? Assim eu poderia fazer "outras coisas" com eles. Aquela frase foi igual um sino na minha cabeça. Por alguns segundos fiquei imaginando o que seriam "outras coisas".

Respondi que não. Aquilo doeria muito e coisa e tal. Mas ela não desistiu e veio com argumentos sobre as novas técnicas de depilação e eu não tive mais como negar. Um pouco contrariado, concordei. Ela me pediu para ficar pelado enquanto preparava os equipamentos necessários para tal feito.



Fiquei olhando para TV, porém minha mente estava vagando pelas novas sensações que eu só acordei quando escutei o beep do microondas. Ela voltou ao quarto com um pote de cera, uma espátula e alguns pedaços de plástico. Achei meio estranho aqueles equipamentos, mas ela estava com um ar de "dona da situação" que deixaria qualquer médico urologista sentindo-se como residente. Fiquei tranqüilo e autorizei o restante do processo.

Ela pediu para que eu ficasse numa posição de quase-frango-assado e liberasse o acesso a zona do agrião. Tudo bem. Obedecí prontamente. Meu amigo, ela pegou meus ovinhos como quem pega duas bolinhas de porcelana e começou a passar cera morna. Achei aquela sensação maravilhosa!! O Sr. Pinto já estava todo "pimpão" como quem diz: "sou o próximo da fila"!! Pelo início, fiquei imaginando quais seriam as "outras coisas" que viriam. Após estarem completamente besuntados de cera, ela embrulhou ambos no plástico com tanto cuidado que eu achei que iria levá-los para viagem.

Fiquei imaginando onde ela teria aprendido aquela técnica de prazer: Na Thailândia, na China ou pela Internet mesmo. Porém, alguns segundos depois ela esticou o saquinho para um lado e deu um puxão repentino. Todas as novas sensações foram trocadas por um sonoro PUTA-QUE-PARIU quase falado letra por letra. Olhei para o plástico para ver se o couro do meu saco não tinha ficado grudado na cera. Ela disse que ainda restaram alguns pelinhos, e que precisava passar de novo. Respondi prontamente: Se depender de mim eles vão ficar aí para a eternidade!!

Segurei o Dr. Esquerdo e o Dr. Direito em minhas respectivas mãos, como quem segura os últimos ovos da mais bela ave amazônica em extinção, e fui para o banheiro. Sentia o coração bater nos ovos. Abri o chuveiro e foi a primeira vez que eu molhei o saco antes de molhar a cabeça. Passei alguns minutos só deixando a água morna escorrer pelo meu corpo. Saí do banho, mas nesses momentos de dor qualquer homem vira um bebezinho novo: faz esterco atrás de esterco. Peguei meu gel pós barba com camomila "que acalma a pele", enchi as mãos e passei nos ovos. Foi como se tivesse passado molho de pimenta. Minha alma gemeu de dor. Sentei na privada, peguei a toalha de rosto e fiquei abanando os ovos como quem abana um boxeador no 10° Round. Olhei para o meu pinto e tenho certeza que fiz cara de choro. Ele era tão alegrinho, minutos atrás, e agora estava tão encolhidinho que mais parecia que eu tinha saído de uma piscina a 5 graus abaixo de zero.

Nesse momento minha esposa bate na porta do banheiro e pergunta o que estava acontecendo. Aquela voz antes aveludada de antes, ficou igual um carrasco mandando eu entregar o presidente da revolução. Saí do banheiro e voltei para o quarto. Ela argumentou que os pelos tinham saído pelas raízes, que demorariam voltar a nascer. "Pela espessura da pele do meu saco, meus netos irão nascer sem pelos nos ovos", respondi. Ela pediu para olhar como estavam. Eu falei para olhar com meio metro de distância e sem tocar em nada!! 



Vesti a camiseta e fui dormir (somente de camiseta). Naquele momento sexo para mim seria somente para perpetuar a espécie humana. No outro dia pela manhã fui me arrumar para ir trabalhar. Os ovos estavam mais calmos, porém mais vermelhos que tomates maduros. Foi estranho sentir o vento bater em lugares nunca antes visitados. Tentei colocar a cueca, mas nada feito. Procurei alguma cueca de veludo e nada.

Vesti a calça mais folgada que achei no armário e fui trabalhar sem cueca mesmo. Entrei na minha seção andando igual um cowboy cagado. Falei bom dia para todos, mas sem olhar nos olhos. E passei o dia inteiro trabalhando em pé com receio de encostar os tomates maduros em qualquer superfície.

Conclusão: certas coisas devem ser feitas somente pelas mulheres. Não adianta tentar misturar os universos masculino e feminino."


Desconheço o autor
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EMBALAGENS PORTUGUESAS

Li esse texto, recentemente, numa revista de humor. Não estava assinado e nem indicava a fonte, se não é verdadeiro foi muito bem bolado. É uma pena desconhecer o autor. Não sei se é verdade, mas que são hilárias ninguém duvida.

Embalagem de um sabonete Dial:
Indicação: “UTILIZAR COMO SABONETE NORMAL”
Boa! Cabe a cada um imaginar pra que serve um sabonete anormal
Refeições congeladas Swan:
Sugestão de consumo: “DESCONGELAR PRIMEIRO”
É só sugestão! De repente você pode estar a fim de chupar um nuggets de frango.
Num hotel que oferecia uma touca para banho:
Atenção! “VÁLIDO, APENAS, PARA UMA CABEÇA”
Essa é boa. Alguém muito romântico poderia colocar a sua cabeça e a da amada na mesma touca...kkkkkkkkkkk
Na sobremesa da marca Tesco, está impresso no lado de baixo da caixa:
Atenção! “NÃO INVERTER A EMBALAGEM”
Êpa! Quem leu o aviso é porque já inverteu!
No pudim da Marks&Spencer:
Atenção! “O PUDIM ESTARÁ QUENTE DEPOIS DE AQUECIDO”
Obrigado pela dica, meu caro! Eu não sabia que a quentura aquece.
Na embalagem de uma tábua de passar roupa, da Rowenta:
Atenção! “NÃO ENGOMAR A ROUPA SOBRE O CORPO”
Meu Deus! Gostaria de conhecer a infeliz criatura que não deu ouvidos a esse aviso...
Num medicamento contra o catarro das crianças, da Boots:
Advertência: “NÃO CONDUZA AUTOMÓVEIS NEM MANEJE MAQUINARIA PESADA DEPOIS DE TOMAR ESTE MEDICAMENTO”
Agora ta explicado: muitos acidentes na estrada e na construção civil poderiam ser evitados se fosse possível manter esses hooligans de 4 anos longe dos automóveis e das Catterpillars
Nas pastilhas para dormir, da Nytol:
Advertência: “PODE PRODUZIR SONOLÊNCIA”
Pode não, ô cabeça de ostra. Tem que produzir! Foi pra isso que eu comprei. Seu mané!
Numa faca de cozinha:
Advertência: “MANTER LONGE DAS CRIANÇAS E DOS ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO”
Porra! Será que na imaginação desse babaca os cachorros e gatos são ninjas disfarçados? Pelo menos eu nunca ouvi falar que cães e gatos manuseiam facas!!!
Numa embalagem de lâmpadas de Natal:
Atenção! “USAR APENAS NO INTERIOR OU NO EXTERIOR”
Será que algum gênio pode me dizer qual é a terceira opção?
Nos pacotes de amendoins, da Sainsbury:
Atenção! “CONTÉM AMENDOINS”
Ah! Seu Filho da Puta, porque falou? Estragou a surpresa!!!
Numa serra elétrica, da Husqvarna:
Advertência: “NÃO TENTE DETER A SERRA COM AS MÃOS OU COM OS ÓRGÃOS GENITAIS”
Puta que pariu! Recuso-me a fazer quaisquer comentários!!!
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MINHA ETERNA NAMORADA

Hoje,
eu queria estar ao teu lado
Tocando-te com paixão
Envolvendo-te em sedução
Contrariando o pudor
E te massacrando de amor

Hoje,
eu queria estar ao teu lado
Contemplando a luz do luar
Sentindo o teu cheiro gostoso
Domando teu jeito fogoso
Ocupando o teu olhar

Hoje, 
contigo eu queria estar
Mas como não posso te ver
Prendo-te no meu pensamento
Aguardo o sagrado momento
Que as chamas do meu amor
Vá correndo te encontrar
Minha eterna namorada
Minha paz, minha flor amada
Luz do meu caminhar.

P0110.2007.06
Copyright © 2007 by Magno R Almeida
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A SAGA DE UM QUARENTÃO


FRANCISCO PIMENTA DE OLIVEIRA E SILVA, este é o meu nome de batismo, mas sou conhecido como CHICO PIMENTA. Sou carioca, nascido e criado neste paraíso de mulher bonita chamado Rio de Janeiro - Cidade Maravilhosa. Tenho 45 anos, sou casado com Verinha, a mulatinha mais bonita do Brasil, pai de 3 filhos (juro pela tulipa do meu chope que são a minha cara, ou seja: lindos de morrer). Sou funcionário público agregado na SSP-Secretaria de Segurança Pública onde exerço a função de escrevente, em alguma Delegacia Policial do Rio de Janeiro. Vamos deixar bem claro: não sou detetive e nem investigador da Polícia Civil. Não faço diligências. Não faço prisões. Nunca dei um tiro e nunca andei armado. Enfim, sou apenas um bobalhão que registra, no computador, depoimentos de presos e queixas de vítimas. No jargão da bandidagem, otários iguais a mim são, carinhosamente, chamados de "bucha" (figura sem autoridade, não faz nada e leva a culpa, tipo assim: não comeu Mariazinha, mas assumiu a paternidade). Eu não ligo. É melhor ser "bucha" do que ser alvo das famigeradas AK-47, AR-15, 9mm e vários outros "dragões" que cospem fogo em cima da galera. Bem, agora que eu já me apresentei, vou contar a história que quase mudou a minha vida. Vamos lá!

Na véspera do meu aniversário de 40 anos, encerrei o meu plantão às 18 horas e dispensei o tradicional chopinho no "Buraco da Cremilda" (boteco que tem em frente a delegacia que eu trabalho). Peguei o meu Fiat 147, ano 1979, todo estropiado, e vazei pra casa. Queria chegar cedo e descansar para, no dia seguinte, comemorar os meus 40 anos em grande estilo.

Naquele dia, eu era o símbolo da felicidade. Imagina só, chegar aos 40 anos morando no Rio de Janeiro, próximo ao Complexo do Alemão (conglomerado das favelas mais perigosas do Estado) e trabalhando numa Delegacia Policial. Cada minuto de vida é motivo para comemoração. Só uma coisa me preocupava: o tal exame da próstata que a minha mulher tanto falava e os meus amigos tanto sacaneavam. Dizem que, depois dos 40 anos, todo homem tem que fazer esse exame anualmente e eu nunca simpatizei com essa idéia. A minha praia é outra, malandro, e esse papo de levar dedada não soa bem na minha cabeça. Não estou nem um pouco interessado em sofrer um estupro dessa natureza.

O que tem me deixado mais puto é que, ultimamente, a Verinha, minha mulher, vem se mostrando muito prestativa para promover...digamos assim, minhas núpcias com um cara apelidado de proctologista. Nessas horas, meu irmão, eu fico sempre mal humorado.

- Qual é Verinha? Sai pra lá, porra! Parece até que ta querendo se vingar de mim. O que é isso, pretinha? Assim você vai manchar a honra do negão? Para com isso, vai.

Eu sempre reagia dessa forma quando Verinha tocava no assunto.

Muito bem, cheguei em casa dei um beijinho mal intencionado na minha pretinha cheirosa, brinquei um pouquinho com a criançada e fui jantar. Mal comecei a comer e lá vem Verinha com a porra do blá...blá...blá:

- Amor, marquei o proctologista pra segunda-feira às...
- Porra, mulher, não estraga o clima. Deixa que quando eu quiser perder a virgindade eu procuro esse cara.
- Mas...amorzinho...
- Amorzinho é o cacete, Vera! - cortei o papo.
- Eu não tô a fim de ser seduzido...chega...perdi a fome. Veeeraaa, quer saber? Vai lá no portão catar coquinho valeu? Aproveita e vê se eu tô lá na esquina batendo palmas pra maluco dançar. Não enche o meu saco ta legal? - falei puto da vida.
- Você é um grosso! Ta ficando neurótico.
- Chega Vera! Por favor, procura entender que...
- Entender o que, Chico? - gritou ela, babando e me atropelando de vez.
- Você depois de velho ta ficando babaca. Fazer exame de próstata não vai tirar a tua masculinidade, mas não fazer pode até te levar a morte. Vê se entende ô cabeça de camarão.

Fiquei calado para não agravar a discussão, mas no fundo eu achava que ela estava com toda razão. Mas como é que eu ia aceitar uma parada dessa?. Eu fui educado no estilo durão tipo "homem não chora". Lá em casa é todo mundo macho, menos minha mãe, é claro. Meu pai tira cisco do olho com ponta de faca. O que ele vai dizer quando souber que eu, o seu filho mais velho, um legítimo representante da família Pimenta, além de mostrar a bunda, deixei um cara enfiar o dedo no meu ânus? Ele vai me matar, cara. No pior das hipóteses ele vai me deserdar, tenho certeza.

Pensando nisso, não dei o braço a torcer, levantei e fui para a varanda conversar com o "Fred" (Fred é o meu cãozinho vira-latas), nessas horas só ele me entende. Fiquei tão puto que nem tive ânimo de assistir a novela Paraíso Tropical (gosto de ver a Bebel maltratando o cafetão e seduzindo o babaca do Olavo). Lá pelas 11:40 da noite, ainda muito puto, fui me deitar na esperança de fazer as pazes com Verinha, mas ela ignorou a minha presença. Virei para o lado e tentei dormir. Meu caro amigo, agora começa o meu sofrimento. Parece que foi praga da Vera. Poucos minutos depois, comecei a sentir umas fisgadas no saco, para ser mais preciso, nos culhões, ta ligado? Era uma dor tão fininha que descia pela perna esquerda, subia pela perna direita, passava pela virilha, escalava os intestinos, driblava o esôfago e se alojava no cérebro. Doía pra cacete, meu irmão. Eu tinha a estranha sensação de que estavam apertando os meus testículos com um alicate de pressão. Tentei lembrar se eu tinha batido em algum lugar ou se tinha cruzado as pernas de mau jeito, mas não consegui encontrar explicação para o fato. Comecei a ficar preocupado e rezei para todos os santos que passaram pela minha memória, até para o recém formado Frei Galvão eu apelei. Quanto mais eu rezava mais o saco doía. Cheguei a pensar que um tratamento de canal sem anestesia seria mais confortável do que aquela dor infernal que martelava os meus inocentes bagos.

Como eu não conseguia dormir, levantei, liguei o computador e comecei a navegar na internet. Parei num site erótico e fiquei observando. A dor que eu sentia era tão grande que, mesmo diante daquelas cenas tão picantes, o "Nelson Ned" nem se mexeu (Nelson Ned é o tratamento carinhoso que eu dou ao meu pinto, até porque ele - o meu pinto - também é bem miudinho). Vale dizer que, quando navego nesses sites, fico frustrado com o tamanho do bilau daqueles caras. Aquilo não pode ser verdade, cara. Se for, Deus foi muito cruel comigo.

Nesse dia, ou melhor, nessa noite, eu vi um cara que parecia estar com a mangueira do corpo de bombeiros entre as pernas. Como pode uma mulher se sujeitar àquilo? Deus me livre!. Se eu fosse mulher só transava com cara igual a mim, com o pintinho pequenininho igual ao meu. Pode rir, eu não ligo. Ele é pequeno mas resolve, é experiente, executa suas funções com ótimo desempenho e nunca ficou desempregado. Mas tudo bem, deixa o "Nelson Ned" pra lá e vamos continuar com a narrativa do meu sofrimento.

Como eu não conseguia ficar excitado com aquelas cenas, deduzi que o meu pinto estava literalmente morto. Desliguei o computador e fui assistir TV na esperança de dormir. Vocês não vão acreditar, mas é a pura verdade. Num desses canais da TV a cabo, acho que era o GNT, estava passando uma reportagem sobre câncer de próstata. Fiquei ligadão na parada e até esqueci a dor. O locutor falava tudo em inglês, mas tinha legenda e eu fui lendo com a máxima atenção. Amigo, na medida em que eu ia lendo as informações do cara, eu ficava cada vez mais desolado. Lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto quando o cara falou que os primeiros sintomas de câncer na próstata manifestam-se com fortes dores na tal de bolsa escrotal. Bolsa escrotal?! O que é isso? - Pensei e imediatamente deduzi que bolsa escrotal, saco, culhões, bagos e testículos, são tudo a mesma coisa e, naquele momento, o que eu menos queria saber era o nome científico dos companheiros inseparáveis do meu glorioso "Nelson Ned" (não esqueçam: "Nelson Ned" é o apelido do meu pinto). A cada informação que o locutor passava, o meu desespero aumentava. Quando terminou a reportagem balbucie desolado:

- Puta que pariu, chegou a minha hora, vou morrer!

Chorei copiosamente. Parecia uma criança que teve o doce roubado ou que levou um cascudo do pai quando mexeu nas suas revistinhas de sacanagem. Desliguei a TV e tive vontade de quebrar aquela maldita por ela ter me dado aquela notícia tão triste. Dominei o meu ímpeto porque a minha tão sonhada 29" tela plana, tinha custado uma grana e foi financiada em 12 prestações das quais ainda faltavam pagar 10 parcelas que, certamente, não seriam pagas porque eu morreria antes. Chorei todas as lágrimas que um ser humano pode chorar. Tive a sensação que minhas glândulas lacrimais abandonaram o meu corpo porque não poderiam mais cumprir com a sua sagrada missão: produzir lágrimas.

A esta altura a dor nos culhões era tão grande que eu já não conseguia andar direito, parecia que eu estava carregando um peso de 100kg nas costas. Eram 3 horas da manhã e faltavam 2 horas para o dia amanhecer. Como eu explicaria para minha mulher e para os meus filhos a razão daquela cara inchada de tanto chorar? Comecei a pensar na vida. Achei que Deus estava sendo injusto comigo. Porra! Tudo bem que eu já fui da pá virada. Já amarrei bombinha no rabo do gato, já roubei farofa de pai de santo, já roubei vinho na sacristia, já fugi do restaurante sem pagar a conta, enfim, já fiz uma porrada de coisas ruins, mas agora eu to regenerado. Sou um cara bacana. Distribuo balas no dia das crianças, ajudo a comunidade nos mutirões, divido a marmita com os mendigos, levo a minha sogra para passear e até aprendi a rezar. Será que o cabeludo lá em cima não tá vendo isso?. To lutando, no sapatinho, pra salvar a minha alma e aí vem Ele e me dá uma rasteira. Você concorda que isso é injusto? Ou será que Ele está querendo me dar um corretivo. Talvez a idéia Dele seja me dar um banho de mel e me deixar, pelo menos 24h, sentado em cima de um formigueiro. Porra, cara, imagina aquelas saúvas gigantes, tipo tanajura, cravando o ferrão no meu saco que já está todo dolorido. O lado bom desse castigo é que eu vou pagar todos os pecados que já cometi e ainda vou ficar com crédito para compensar nas futuras traquinagens. Sem esconder minha tristeza fiz um último apelo, ao meu bom Deus, para que Ele não deixasse os meus filhinhos órfãos de pai. Chiquinho, Creuzinha e Marcelinho, 2, 5 e 9 anos, respectivamente. Penso também na Verinha, minha fiel esposa, um encanto de mulher, bonitinha, corpinho nota 10, não é uma Camila Pitanga, mas chega perto, apesar dos 3 filhos, todos de parto normal, mais para mim, continua uma eterna virgem, extremamente sensual, carinhosa, delicada e gostosa. Na cama, uma tremenda astronauta com vaga garantida na NASA, graças a ela eu pude conhecer o Sol, a Lua e as Estrelas nas viagens alucinantes em que ela me conduz com maestria nas nossas noites de amor. Coitadinha da minha pretinha se cair nas garras do Zeca pé de mesa, o garanhão do pedaço. Ele nunca se meteu a engraçadinho com ela porque sabe que eu arrebento a cara dele de porrada. Mas como defunto não bate em ninguém, o caminho vai ficar livre para o espertalhão. Imagina aquele monstro transando com a minha Verinha. O cara tem uma caceta igual àquelas que eu vejo nos sites eróticos e Verinha nunca viu isso. A única caceta que ela viu na vida foi a minha (se é que eu posso chamar isso de caceta) e a dos meus filhos. Quando casamos ela era virgem, eu fui o primeiro e único homem na sua vida e ela já está acostumada com o meu pintinho. Tomara que Verinha não caia no papo daquele tarado, se cair já era. Quando a trolha do negão começar a entrar minha pretinha vai chorar lágrimas de sangue. Vai gritar, espernear, tentar fugir e desesperadamente vai me pedir socorro, mas eu nada poderei fazer. O cara vai dividir Verinha ao meio. Meu Deus! Que horror! Nem quero pensar nisso!

Olho para o relógio e vejo que são 6 horas da manhã. Penso rápido e decido ir ao médico examinar minha próstata. Para não acordar Verinha vou até o varal, pego uma cueca limpa, tomo uma chuveirada, visto a mesma roupa e saio em silêncio com destino ao consultório do tal proctologista. A esta altura do campeonato, o meu saco doía menos ou então eu já estava me acostumando com a maldita dor. Mesmo assim, decidi ir de táxi para não fazer esforço que pudesse incomodar meus gloriosos culhões. Quando eu estava saindo no portão um vizinho passa de carro e me oferece carona. Ôba, legal, assim eu economizo o dinheiro do táxi para comprar os remédios. Agradeci ao Luiz e entrei no seu Monza vermelho. Que beleza! Aquilo é que é carro. Nem se compara com o meu Fiat - (F)ui (I)ludido (A)gora é (T)arde - 147 todo ferrado. Me senti "o cara" no banco daquele Monza vermelho.

Luiz era um cara muito discreto, religioso, caladão, caseiro e vivia só para a família e para a igreja evangélica que ele frequentava. Era um homem de Deus, como costuma dizer. Nunca vi o cara metido em bagunça. Aos domingos ele ia para a igreja de manhã e de noite. Em sua casa só se ouvia músicas evangélicas. Samba, pagode, forró, rock, hip hop, eram gêneros musicais que o seu aparelho de som recusava-se a tocar. Apesar de todo esse fanatismo ele era um cara gente fina e muito querido na vizinhança.

Como o Luiz é muito calado e eu, apesar de muito falante, também não conseguia falar sem provocar dores no saco, a viagem seguia em silêncio. Parecia que estávamos indo para um velório. Tentei "quebrar o gelo" para o tempo passar mais rápido:

- Luiz, - perguntei meio temeroso - tu sabe o que é câncer de próstata?
- Claro que sei, Chico. Meu pai morreu disso. Foi terrível. Dava pena ver o coitado gritando de dor. Quando ele morreu foi um alívio para todos nós, inclusive para ele.

Puta que pariu - pensei comigo mesmo - Era melhor ter vindo de táxi ou ter mantido o silêncio. O que o Luiz me falou fez o meu saco doer ainda mais. - To ferrado, - pensei com tristeza - meu fim está próximo, preciso saber quanto tempo ainda tenho de vida.

Luiz quis saber a razão da minha pergunta e chegou a insinuar que eu estava com a maldita doença.

- Porque me perguntou isso, Chico? Você está com câncer na próstata? Se tiver vai lá na igreja domingo e vamos pedir uma oração para curar a tua doença. Se você tiver fé, vai sair de lá curado.
- To não, Luiz. To não. É que eu fiquei impressionado com uma reportagem que assisti ontem a noite na televisão. - falei tentando disfarçar o nervosismo.

Pela cara que ele fez, acho que não acreditou, mas ficou calado e eu comecei a pensar na possibilidade de acompanhar o Luiz até a igreja no domingo. Mas, por enquanto, resolvi dar uma chance a ciência antes de recorrer a Deus que deve estar muito atarefado tentando convencer o Congresso Nacional de que verba pública é dinheiro do povo e deve ser investida em benefício da nação e....bem deixa pra lá. Isso é uma outra história.

Luiz trabalha no IBGE, lá em Mangueira, e como se estivesse adivinhando que o meu saco doía, seguiu pela Av. Mal Rondon para me deixar na estação do metrô já que eu ia para o centro da cidade, pois o consultório do meu famigerado estuprador ficava na rua Uruguaiana. Tudo bem, chegamos. Desci, agradeci e fui para estação do metrô pegar o trem. Para minha surpresa e indignação, quando o trem abriu a porta, dei de cara com o Zeca pé de mesa:

- Fala aí Chico. Ta abatido, cara, o que você tem? Ta doente, mano?
- Não, Zeca. - falei tentando disfarçar a minha dor.
- To cansado, cara. Virei a noite no plantão e estou até agora sem dormir.
Não enche o meu saco que ele ta doendo muito - pensei, mas não falei é claro.
- Vê lá, cara. - insistiu o engraçadinho.
- Te cuida, maluco. Vai dar mole e morrer deixando Verinha perdida nessa selva. Sabe como é mano...rapidinho chega um caçador para abater a caça.

Tive vontade de mandar o Zeca para a puta que pariu, mas dominei a minha raiva e fiquei calado. Pensei na felicidade que eu sentiria se um dia pegasse aquele filho da puta fazendo coisa errada. Ah! Seu eu pego aquele desgraçado "mijando fora da bacia". O mínimo que eu faria era cortar o pau dele em quatro pedaços, enfiar um em cada ouvido, um na boca e outro no seu ânus (no dele, é claro) e ainda deixaria o porco pendurado em praça pública com uma placa no peito escrito: aqui jaz um tarado. Ainda bem que o miserável desceu na estação Praça Onze e eu segui minha viagem até a estação Uruguaiana.

Desci do trem, tomei um cafezinho e lá fui eu caminhando devagar, desolado e na esperança de nunca chegar ao meu destino, mas a realidade e outra e infelizmente cheguei no "abatedouro" e imaginei a cara do meu algoz babando de felicidade esperando a minha chegada. Peguei o elevador e quando ele parou no 3º andar senti um arrepio que subiu da ponta do dedão do pé até o último fio de cabelo (da cabeça é claro) dando-me a sensação que uma entidade de Umbanda estava tentando se apoderar do meu corpo. Fiz o sinal da cruz três vezes, rezei pelo meu anjo da guarda e entrei no consultório.

A atendente era uma senhora gorducha e metida a engraçadinha, apesar da aparente simpatia. Entreguei o cartão do plano de saúde para fazer a ficha.

- Bom dia, minha senhora!
- Bom dia Sr.Francisco. - respondeu ela, olhando para o cartão.
- É a primeira vez? - perguntou olhando nos meus olhos.
- Sim - respondi baixinho como se estivesse contando um segredo.
- A primeira vez aqui ou a primeira vez que vai fazer o exame? - insistiu a chata.
- É a primeira vez que vou fazer o exame, moça - respondi morto de vergonha.
- Aí que lindo! Moça? Só se for no ouvido, bonitão! - disse ela sorrindo.
- Obrigado pelo bonitão e desculpe pela moça - falei meio constrangido.
- Hoje você perde a virgindade, mas fica tranqüilo que a vaselina é da boa. - Falou a engraçadinha.
- Heim!? - balbucie incrédulo com o que acabara de ouvir.
- Liga não Sr. Francisco, rapidinho o senhor acostuma. - respondeu a gorda, deixando a mostra, no seu sorriso, a ausência dos dois principais atacantes.

Pelo calor que senti no rosto, acho que fiquei vermelho de vergonha e ensaiei um sorriso meio sem graça. Ao mesmo tempo deduzi que os dentes que faltavam no sorriso da gordinha fugiram agarrados na mão de alguém menos paciente do que eu.

Como o meu saco não parava de doer, peguei uma revista para tentar esquecer a dor. Nisso chegou um cara, tipo executivo, de terno e gravata, boa pinta, desembaraçado. Cumprimentou a gorda e sentou-se ao meu lado. Eu não conseguia ler, mas continuei olhando para a revista. O cara tentou puxar conversa:

- Bom dia, amigão, tudo bem?
- Tudo - respondi sem tirar os olhos da revista.
- Troço chato esse exame né?
- É - respondi com a cara na revista.

Ele percebeu que eu não estava a fim de papo e nada mais falou. Pegou o celular, ligou e avisou que ia chegar mais tarde. Deu algumas ordens desligou e virou-se para a atendente:

- O Dr. Alfredo já chegou?
- O Dr. Alfredo viajou. - respondeu a gorda abusada.
- A Dra Heloísa está atendendo os pacientes dele.
- O que!!!??? Doutora!!!??? - indaguei a mim mesmo, horrorizado. Ai meu Deus...é uma mulher...to fodido...porque esse filho da puta resolveu viajar logo hoje? Acho que vou embora...prefiro morrer do que mostrar minhas partes tão íntimas para uma mulher desconhecida.

Antes que eu pudesse me recompor do susto, ouvi uma voz feminina:

- Sr. Francisco Pimenta.

Olhei na direção do cara na esperança de que ele fosse o meu homônimo.

- Sr. Francisco, pode entrar - falou a gorducha, olhando pra mim.

O mundo desabou na minha cabeça. Levantei em silêncio e adentrei o recinto pornográfico que estava a minha espera.

- Bom dia, Sr. Francisco, tudo bem?

Porra, minha senhora, se estivesse tudo bem eu não estaria aqui. - pensei, mas não falei.

- Tudo mais ou menos doutora - respondi um pouco desanimado.
- Sr. Francisco, conte pra mim, em detalhes, o que o senhor está sentindo.
- Bem...é...é...eu to...na verdade...sabe doutora...eu...
- Pode falar, Sr. Francisco, - disse ela - não fique envergonhado, eu estou acostumada com isso, pode se abrir comigo.

Se abrir!!!??? Ficou maluca, mulher? Acha que eu sou desses que vai se abrindo para qualquer mulher logo no primeiro contato? - novamente pensei, mas não falei.

Ela, com a mão no queixo, olhava pra mim com ternura e aguardava pacientemente a minha resposta. Fiquei contemplando o rosto lindo daquela mulher de pele bronzeada contrastando com seus olhos levemente esverdeados e que deixavam transparecer toda a sua sensualidade. Voltei para a realidade quando ouvi a sua voz.

- Vamos, Sr. Francisco, preciso saber o que o senhor está sentindo.
- É...como eu ia dizendo...to...quer dizer... - eu tentava, mas não conseguia falar.
- Sr. Francisco, - disse ela demonstrando impaciência - o senhor precisa confiar em mim e falar abertamente o que está sentido para que eu possa examina-lo. Não podemos ficar aqui olhando um para a cara do outro. Lá fora tem outros pacientes aguardando atendimento. Vamos lá! O senhor tem duas opções: falar ou falar. - sentenciou a fera vestida de fada.

Criei coragem, ou melhor, aceitei o velho ditado, "quando o estupro é inevitável, relaxa e goza". Comecei a falar tudo sobre a dor que me atormentava desde a noite anterior. Eu só não falava abertamente que era no "saco", eu dizia que era na região da bolsa escrotal e apontava para o "Nelson Ned". Falei que após a reportagem do GNT eu tinha ficado desiludido e achava que ia morrer. Contei tudo sem esconder nada. Falei até da discussão que eu tive com a Verinha. Ao final da minha confissão, pedi a ela que fosse sincera comigo e estimasse quanto tempo eu ainda teria de vida. Ela tentou me tranqüilizar:

- Calma, Francisco, nem sempre dores nos testículos significa câncer de próstata. Fica tranqüilo que eu vou te examinar.

Francisco!!??. Há poucos minutos atrás eu era Sr. Francisco e agora já está me tratando com intimidade. - pensei em silêncio - Onde ela está querendo chegar?

- Vá para trás daquele biombo, tire toda a sua roupa e vista esta camisola, quando estiver pronto me avise, ok?

Camisola!? Puta que pariu! Quarenta anos na cara e tenho que vestir camisola na frente de uma desconhecida. Oh! Meu Deus! Quanta humilhação. - pensei, quase chorando.
Fui para trás do biombo e mais uma vez um pedaço do céu caiu sobre a minha cabeça. Percebi que não tinha como escapar daquele estupro e me entreguei. A tristeza e a vergonha tomaram conta de mim. Vesti a tal camisola e gaguejei:

- Esto...tou...pron...pron...to...dou...to...to...tora.

Ela pediu que eu aguardasse um pouco. Fiquei igual a um babaca, peladão dentro daquela camisola horrível e toda aberta atrás. Pensei em despertar o "Nelson Ned' para amenizar um pouco a vergonha, mas quando tentei acaricia-lo não o encontrei. O danado estava só com o olhinho de fora, o corpo e a cabeça simplesmente desapareceram e quase que eu digo para a médica: traga uma pinça doutora.

- Francisco, - chegou ela toda decidida, cortando o meu pensamento - senta na maca, coloque esse pedaço de borracha entre os dentes, pegue essas duas bolinhas e aperte-as, alternadamente, uma em cada mão.

Não entendi porra nenhuma, mas fiz o que ela mandou. A danada levantou a minha camisola e deixou a mostra o maior motivo da minha vergonha. Percebi um risinho sarcástico no rosto da filha da puta. Possesso de raiva, fechei os olhos e comecei a morder a borracha e apertar as bolas que estavam em minhas mãos. Senti quando o meu saco foi envolvido pela maciez de suas mãos e fiquei todo arrepiado, mas o "Nelson Ned" nem deu sinal de vida, continuou escondido na sua toca. Ela começou a esfregar os meus testículos...eu calado...ela esfregava...eu calado...parou de esfregar e começou a apertar...eu calado...mais pressão e eu calado engolindo a minha dor. De repente, não satisfeita com a tortura, a danada apertou com mais força. A dor foi tão violenta que me fez quicar na maca. Eu não conseguia gritar porque estava mordendo a borracha, mas gemi com todas as forças da minha alma e numa manobra desesperada, larguei as bolas que eu estava apertando e agarrei a doutora pelos cabelos.

Meu Deus! - pensei comigo - Como pode um pai permitir que a sua filha passe o dia todo apertando os culhões dos mais variados tipos de homem que aparecem a sua frente. Ah! Se fosse minha filha...eu não deixava...eu não deixava e se insistisse entrava na porrada.

Agarrado aos cabelos daquela bela mulher eu me sentia um verdadeiro inútil balançando a cabeça negativamente.

- Por favor, pare. Não me torture mais. Largue o meu saco, pelo amor de Deus. Não faça isso comigo. Eu sou um cara legal e não mereço esse sofrimento - implorava o meu olhar desesperado. Acho que ela compreendeu o apelo dramático que eu fazia com o olhar e largou o meu saco.

- Tudo bem, Francisco, fica calmo, já vai acabar. Quer tomar um pouco de água?

Porra! - pensei revoltado - Água numa hora dessa. Na verdade eu precisava é de uma garrafa de pinga pra tomar um porre e não vê o que estava acontecendo.

- Não, doutora, quero não, muito obrigado - respondi.
- Francisco, - começou ela toda sedutora - a próxima etapa é um pouco desconfortável e você precisa relaxar para que tudo corra bem, ta legal? Não se preocupe que eu não vou machucar você.

Que porra é essa de "não vou machucar você"? - pensei de cabeça baixa olhando, de soslaio, os movimentos que ela fazia. Vi quando a minha bem intencionada estupradora pegou um par de luvas e uma latinha de vaselina. - Puta que pariu, chegou a hora da dedada. Será que vai doer muito? - pensei. Olhei para as mãos da mulher, tentando fotografar suas unhas, e o que eu vi deixou-me preocupado: as unhas não eram longas, mas, também, não eram tão curtas para que, no meu modo de pensar, pudessem evitar um acidente. Transtornado, ouvi, em silêncio, o que jamais gostaria de ter escutado.

- Francisco, agora eu vou examinar a sua próstata e o único caminho para chegar nela é o seu ânus. Vou ter que penetra-lo, mas se você colaborar, seguindo todas as instruções, o exame será rápido e indolor. Preste atenção: Relaxe, fique de frente para a maca a uma distância de 90cm, aproximadamente, abra as pernas, apóie as mãos na maca, não se mexa e não olhe para trás.

Porra, cara, apesar do frio que fazia no consultório, eu comecei a suar. Fiquei estático e com os olhos arregalados observando o ritual macabro da médica colocando as luvas. Minha alma desprendeu-se do corpo e saiu em disparada daquela sala de torturas. Eu queria acreditar que estava sonhando e pedia, desesperadamente, que alguém me acordasse daquele pesadelo. - Meu Deus! - pensava querendo gritar - Isso não é verdade. Isso não pode estar acontecendo comigo. De repente senti uma fisgada na porta de saída do meu reto e alguma coisa deslizou para dentro de mim invadindo o que de mais sagrado em tinha. A tragédia estava consumada. O invasor, arrastando-se pelas paredes do meu reto, adentrou e bagunçou o recinto da minha intimidade. O meliante, dentro de mim, mexia-se com desenvoltura e pressionava, impiedosamente, as minhas entranhas maltratando a minha bexiga e a minha uretra, fazendo-me sentir sensações que eu jamais sentiria se tivesse agasalhado os meus culhões com compressas de água morna. Agora é tarde. Fui estuprado sem piedade e abandonado ao relento, pois ao final daquele genocídio a minha algoz virou as costas, retirando-se e deixando-me deflorado na rua da amargura.

- Tudo bem Francisco você está ótimo, pode vestir a sua roupa.

Senti um líquido quente escorrer pela minha bunda e manchar o lençol. Era sangue. Acho que a unha da assassina arrebentou minhas pregas. - Filha da puta!. - pensei revoltado - Me leva na conversa, faz o meu pinto sumir, aperta o meu saco, enfia o dedo no meu ânus, arrasa com a minha moral, rasga o meu inocente cuzinho, deixa-me traumatizado, satisfaz o seu ego e depois manda eu vestir a roupa e cair fora, dizendo que eu estou ótimo. Ah! Sua vagabunda, quando eu sair daqui vou direto para a DPVAM-Delegacia de Proteção a Virgindade Anal Masculina, registrar uma queixa crime contra você. Vou fazer de tudo pra mantê-la trancafiada no xadrez evitando, desta forma, que você saia por aí estuprando outros inocentes iguais a mim. Você vai pagar pelo que fez sua desgraçada!

Peguei a receita com os exames que ela recomendou e sai varado. Passei pela recepção de cabeça baixa, sem olhar pra ninguém. Não esperei o elevador, desci pelas escadas e segui em passos largos para a estação do metrô. Naquele momento o que eu mais queria era chegar em casa para tomar um banho e apagar todos os resquícios da maldade que eu sofri e, depois, fazer compressas de água morna no saco e no ânus, agora eram os dois que doíam.

Fui para a estação do metrô e peguei o trem. Fiquei em pé porque eu não queria machucar o meu ânus mais do que as agressões que ele acabara de sofrer. Para meu castigo, quando a porta do trem abriu, na estação Praça Onze, entrou o miserável do Zeca pé de mesa.

- Chiiico! - falou o filho da puta, sem quaisquer cerimônias. - O que é isso, amigão? Que cara é essa? Parece até que foi estuprado!
- Zeca, tu já fez exame de próstata? - perguntei, respirando fundo para aliviar a minha dor. - Qual é, malandro!? Ta me achando com cara de quê? Eu sou espada! O meu reto é uma estrada de mão única e o fluxo é de dentro pra fora, nunca em sentido contrário.

Fiquei em silêncio por não ter condições de falar o mesmo.

- Chico! Chico! Acorda, homem de Deus! O teu exame com o proctologista é hoje às oito horas. Rápido, meu amor, senão você vai perder a consulta e o Dr. Alfredo viaja hoje.

Era Verinha me acordando. Puta que pariu! Vai começar tudo de novo. Só que agora é pra valer. Levantei fazendo beicinho e querendo chorar.

P0101.2007.06
Copyright © 2007 by Magno R Almeida



Nota do autor:

Todos os personagens e suas respectivas qualificações, bem como o enredo desta obra, são fictícios. Quaisquer semelhanças serão consideradas meras coincidências.
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